18 de agosto de 2022 21:58

Funerária percebe que idosa estava viva ao retirar corpo para velório: um problema com o tamanho do caixão atrasou o enterro

Terra Brasil Notícias

Uma idosa acordou após ser dada como morta em uma unidade de saúde de Cidreira, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, no dia 31 de dezembro. Conforme familiares, Clotilde Rieck, de 78 anos, teve o óbito confirmado após sofrer duas paradas cardíacas. O funcionário da funerária responsável pelo velório foi quem percebeu que a pacientes estava viva, quando iria retirar o corpo do necrotério.

“Nós estávamos em casa organizando o velório, quando o funcionário da funerária nos liga avisando que ela estava viva”, diz Bianca Schneider, sobrinha-neta da idosa.

Em nota publicada nas redes sociais, a Prefeitura de Cidreira afirma que “está apurando o ocorrido, bem como a responsabilidade da médica que atestou o óbito da paciente”.

A prefeitura informou que a médica que assinou a declaração de óbito foi afastada.

Por meio de nota, os advogados da médica, Bibiana Boaventura e Uilian Loose, informaram que a profissional utilizou “todos os meios de tratamento e todas as manobras de ressuscitação cardiopulmonar disponíveis no Posto de Saúde 24 horas Eva Dias de Melo, na cidade de Cidreira/RS, especialmente no dia 31/12/2021” para tentar reanimar a paciente.

A nota destaca ainda que a médica não foi contatada pela prefeitura para esclarecimento dos fatos e comunicação sobre afastamento. “Todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas para os devidos esclarecimentos dos fatos e demonstração da boa conduta médica adotada.”

No mesmo dia, Clotilde foi transferida para a Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, onde se encontra internada desde então. De acordo com Bianca, a tia-avó está em um quarto, respirando normalmente e “evoluindo muito bem”.

A paciente foi informada na sexta-feira (8) sobre o ocorrido e, conforme a família, custou a acreditar no que passou, já que ficou inconsciente.

Detalhes do caso
Ao g1, uma sobrinha-neta de Clotilde relatou que a idosa passou mal na manhã do dia 30 de dezembro, com vômitos. Uma ambulância foi acionada e a idosa foi encaminhada para o Posto de Saúde Eva Dias de Melo.

Durante o dia, Clotilde passou por exames, que, já na madrugada do dia 31, indicaram quadro de infecção urinária. Durante a manhã, a idosa sofreu duas paradas cardíacas, sendo que, após a segunda a médica, a enfermeira e a equipe de enfermagem constataram a ausência se sinais vitais e confirmaram o óbito.

“Realmente, é uma coisa inédita aqui para o nosso município. Nunca passamos por uma situação como essa. Nós estamos tomando providências, vamos abrir um processo administrativo e solicitamos o afastamento imediato da médica”, afirma a coordenadora do posto de saúde, Irene Mendes.

Após a confirmação do óbito, a família de Clotilde foi chamada e passou a organizar o velório e o funeral, com apoio da equipe da unidade de saúde e da assistência social do município. Quando a equipe da funerária chegou ao posto de saúde para levar Clotilde, o funcionário da empresa encontrou a idosa viva.

“Quando ele descobriu o corpo para fazer a remoção dela, ela estava viva, com o braço erguido, o olho aberto e pedindo ajuda”, conta a sobrinha-neta.
Segundo a família de Clotilde, o funcionário da funerária disse ter levado um susto e pedido ajuda no posto de saúde. A paciente estava com o coração batendo e ofegante.

Um problema com o tamanho do caixão escolhido fez com que o processo com a funerária levasse mais tempo que o previsto. Para Bianca, esse atraso ajudou a encontrar a tia-avó ainda com vida.

“Se tivesse o caixão do tamanho dela certinho, nós teríamos enterrado ela viva. Graças a Deus, teve esse tempo”, relata.

Após o ocorrido, a Polícia Civil foi acionada para o registro da ocorrência. Os familiares da paciente reclamam de problemas no atendimento prestado pela equipe de saúde e dizem que a certidão de óbito não foi oferecida.

A coordenadora da unidade, Irene Mendes, disse que o documento foi emitido, mas que, como o óbito não se confirmou, não pôde ser entregue aos parentes de Clotilde.

Créditos: G1.

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