28 de agosto de 2025 19:59

Brasil nega Operação Imeri, o plano secreto da Marinha do Brasil e Força Aérea Brasileira para salvar presidente da Venezuela, após a maior potência militar do mundo enviar poderosos USS ao país vizinho

Brasil pode se envolver em enrascada pra retirar o presidente da Venezuela em caso de ataque dos EUA? A revista “DefesaNet” garante que sim, mas o Ministério da Defesa e o Itamaraty negam e afirmam que não há nenhum plano para salvar a pele do ditador venezuelano

Brasil pode se envolver em enrascada pra retirar o presidente da Venezuela em caso de ataque dos EUA? A revista “DefesaNet” garante que sim, mas o Ministério da Defesa e o Itamaraty negam e afirmam que não há nenhum plano para salvar a pele do ditador venezuelano

por -Flavia Marinho –  Sociedade Militar

Nos últimos dias, um rumor ganhou força e chamou atenção dentro e fora do Brasil: a existência de uma suposta Operação Imeri, articulada entre Brasília e Caracas, para retirar Nicolás Maduro da Venezuela em meio à pressão militar dos EUA. A informação, divulgada pelo portal DefesaNet, sugeria até a participação da Marinha e da Aeronáutica brasileiras. Mas o Ministério da Defesa tratou logo de desmentir. Em nota oficial divulgada ontem, terça-feira (26/8), a pasta foi taxativa: “Não há qualquer plano ou operação em curso ou em elaboração nos termos mencionados.”

O boato da Operação Imeri envolvendo plano secreto da Marinha do Brasil e Força Aérea Brasileira

A reportagem original afirmava que a Operação Imeri teria sido discutida durante a cúpula da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), realizada em Bogotá no dia 21 de agosto. Segundo o site, o chanceler brasileiro Mauro Vieira e o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil Pinto, teriam conversado sobre a possibilidade de um resgate do líder chavista.

No entanto, o próprio Itamaraty esclareceu que a reunião tratou de temas bem diferentes: relações comerciais bilateraistarifas impostas pelos EUA e os “atuais desafios em matéria de segurança regional”. Fontes diplomáticas ouvidas pelo jornal Metrópoles reforçaram que o assunto nunca esteve em pauta.

Pressão dos EUA, a maior forças armadas do mundo sobre a Venezuela

O pano de fundo dessa história é o crescente cerco norte-americano contra Maduro. Desde o fim de julho, o governo Donald Trump aumentou o tom, acusando o presidente venezuelano de chefiar o cartel de drogas Los Soles e de ter ligações diretas com o tráfico internacional.

A recompensa oferecida por Washington para quem fornecer informações que levem à prisão de Maduro foi elevada para US$ 50 milhões, segundo informações do Departamento de Estado dos EUA. Além disso, navios de guerra norte-americanos foram deslocados para as proximidades da Venezuela, em uma clara demonstração de força.

Esse endurecimento faz parte de uma estratégia mais ampla: organizações criminosas foram classificadas como grupos terroristas pelo governo norte-americano, o que abre brecha para ações militares internacionais sob o argumento de combate ao terrorismo.

Diversos países afirmam que as eleições venezuelanas foram marcadas por fraude

Grande parte da comunidade internacional questiona a legitimidade de Nicolás Maduro. Diversos países afirmam que as eleições venezuelanas foram marcadas por fraude, e tanto Joe Biden quanto Donald Trump já declararam reconhecimento ao opositor Edmundo González como o verdadeiro vencedor do pleito.

Maduro, por sua vez, reforça seu discurso contra o imperialismo norte-americano, acusando Washington de tentar promover um golpe na Venezuela e de usar a economia como arma de desestabilização. Em pronunciamentos recentes, o presidente chavista chegou a dizer que os EUA “sonham em transformar a Venezuela em colônia” – retórica que ecoa entre seus aliados internos.

O papel do Brasil nesse tabuleiro

Ao negar a suposta Operação Imeri, o Ministério da Defesa buscou afastar o Brasil de qualquer associação direta a articulações de resgate ou proteção a Maduro. O posicionamento evita que o país seja visto como cúmplice do regime chavista em um momento de extrema sensibilidade diplomática.

Para o pesquisador venezuelano Luis Vicente León, em entrevista à BBC Brasil, o isolamento de Maduro internacionalmente é cada vez maior, e qualquer sinal de apoio externo pode ser explorado politicamente por Caracas. Nesse contexto, a postura do Brasil é de cautela, mantendo diálogo diplomático, mas sem se comprometer com operações de alto risco.

Um xadrez geopolítico em movimento: Para o Brasil, o desafio é manter uma posição equilibrada:

A crise venezuelana já não é apenas uma questão interna. Com a presença de forças militares norte-americanas na região, a retórica de guerra e o enfraquecimento político de Maduro, qualquer boato ganha dimensão internacional.

Enquanto isso, a situação na Venezuela segue instável. A economia permanece em colapso, a população enfrenta dificuldades e a pressão externa não dá sinais de arrefecer. Para o Brasil, o desafio é manter uma posição equilibrada: dialogar com o governo de Maduro, atender aos interesses comerciais bilaterais e, ao mesmo tempo, evitar desgastes com os EUA, que continuam sendo um dos principais parceiros econômicos e militares do país.

 

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