28 de agosto de 2025 19:59

Trinidad e Tobago, Paraguai, Equador e Guiana alinham-se aos Estados Unidos por meio de resoluções contra a Venezuela; o fim de Maduro está cada vez mais próximo

O entorno da Venezuela se transforma em palco de alinhamento militar, com vizinhos cedendo apoio direto aos EUA

por Noel Budeguer-Sociedade Militar

Em 2025, a América do Sul vive um cenário sem precedentes desde a Guerra Fria. Nicolás Maduro, cada vez mais isolado, enfrenta o maior cerco militar e diplomático de sua carreira. Diversos países da região declararam apoio explícito aos Estados Unidos e abriram seus territórios para operações militares contra o narcotráfico associado ao regime chavista.

Em resposta, Caracas anunciou a mobilização de mais de 15 mil soldados na fronteira com o Brasil, mas analistas já classificam a reação como tardia diante da ofensiva em andamento. As informações apresentadas neste artigo têm como base o conteúdo divulgado pelo canal de YouTube “Canal Militarizando o Mundo”, especializado em análises sobre geopolítica e defesa.

Cerco marítimo e terrestre liderado por Washington

O governo de Donald Trump determinou o envio de porta-aviões, destróieres e submarinos nucleares para o Caribe e o Atlântico, configurando um bloqueio militar em larga escala contra a Venezuela.

Segundo Washington, a justificativa é o combate ao narcotráfico internacional e o desmantelamento do cartel de Los Soles, acusado de ser comandado pelo próprio Maduro e de manter uma rede criminosa que atinge a América do Sul, Caribe, México, Europa e até os Estados Unidos.

A ofensiva é reforçada pela narrativa política que aponta as eleições de 2024, que reconduziram Maduro ao poder, como fraudulentas. A oposição liderada por María Corina Machado e dezenas de governos estrangeiros se recusaram a reconhecer o pleito, ampliando o isolamento de Caracas e legitimando medidas cada vez mais duras.

O destróier USS Gravely (DDG-107), da classe Arleigh Burke, integra a frota norte-americana enviada ao Caribe em agosto de 2025. Equipado com mísseis Tomahawk, sistemas antiaéreos Aegis e capacidades de guerra antisubmarina, o navio é uma das principais peças do cerco naval contra a Venezuela

Apoios regionais e cinturão geopolítico contra Caracas

O cerco a Maduro não parte apenas dos EUA. Diversos países da região alinharam-se à estratégia norte-americana.

  • O Paraguai, sob Santiago Peña, classificou oficialmente o cartel de Los Soles como organização terrorista internacional.
  • O Equador, presidido por Daniel Noboa, seguiu o mesmo caminho e aprovou inclusive mudanças constitucionais que permitem novamente bases estrangeiras no país.
  • A Guiana reforçou sua aliança com Washington em meio às ameaças territoriais de Caracas, ampliando patrulhas conjuntas e cooperação direta com a DEA.
  • Trinidad e Tobago surpreendeu ao anunciar apoio explícito e oferecer seu território para operações militares.

Esse conjunto de apoios consolidou um cinturão de pressão geopolítica que deixa Caracas isolada por mar, terra e ar. Ao norte, a Marinha dos EUA controla o Caribe; ao leste, a Guiana garante logística e inteligência; ao oeste, a Colômbia oferece retaguarda; e ao sul, o Brasil, mesmo mantendo discurso de neutralidade, reforça operações contra o narcotráfico na fronteira para impedir que criminosos usem território nacional como rota de fuga.

Recompensa milionária e narrativa internacional

Em paralelo ao envio da frota naval, Trump dobrou para 50 milhões de dólares a recompensa pela captura de Nicolás Maduro, medida vista como um recado direto de que o líder chavista não é reconhecido como chefe de Estado, mas como fugitivo internacional e chefe de cartel.

A designação do cartel de Los Soles como organização terrorista por EUA, Paraguai e Equador abre espaço para bloqueios de ativos, apreensão de bens e legitimação de ações militares diretas contra suas estruturas.

Internamente, Caracas tenta responder. Poucos dias após a chegada da frota americana, Maduro anunciou que seu governo também passaria a combater o narcotráfico, numa tentativa de inverter a narrativa. No entanto, opositores e até ex-aliados do chavismo afirmam que é justamente a cúpula do regime que organiza e protege a rota da cocaína, o que fragiliza o discurso oficial.

Pressão interna e fragilidade do regime chavista

Após as eleições de 2024, a repressão na Venezuela se intensificou. Protestos foram sufocados com violência, opositores presos e membros da equipe de segurança de María Corina Machado chegaram a ser sequestrados. O país enfrenta um colapso institucional, economia destruída e crescente pressão militar internacional, cenário que reduz drasticamente a margem de manobra de Maduro.

Enquanto isso, o Brasil de Lula mantém neutralidade estratégica: não apoia intervenção estrangeira, mas intensifica o combate ao narcotráfico em sua fronteira norte. Já a Colômbia de Gustavo Petro nega a existência do cartel de Los Soles e acusa a direita internacional de manipulação política, demonstrando que nem toda a região segue a mesma linha de Washington. A Bolívia, fiel ao chavismo, também reforça solidariedade a Caracas.

María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, denunciou fraude nas eleições de 2024 e permanece como uma das principais vozes contra o regime chavista. Seu movimento foi alvo de forte repressão, com prisões, perseguições e até sequestros de membros de sua equipe de segurança

Um futuro incerto para a Venezuela

O quadro que se desenha é de um bloqueio militar e diplomático inédito na América do Sul. Para os EUA, a missão é clara: enfraquecer Maduro até sua queda definitiva. Para os aliados regionais, trata-se de conter uma ameaça transnacional e preservar a estabilidade hemisférica. Para a população venezuelana, mergulhada em crise humanitária, o futuro continua incerto e sem sinais de solução pacífica.

A Venezuela, que já foi uma das maiores potências energéticas do continente, tornou-se o epicentro de um conflito que mistura narcotráfico, geopolítica e democracia. E tudo indica que o embate está apenas no começo.

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