Influência de Guiomar (de azul) moldou relações no Judiciário e na política por quase duas décadas Foto: Rosinei Coutinho/STF
Vista nos bastidores como uma ‘12ª ministra’ pelo trânsito raro entre Poderes, ela encerra união com o decano do STF após 18 anos; amizade, dizem, segue firme
Por
Hédio Ferreira Júnior – o tempo.
BRASÍLIA – A separação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e Guiomar Feitosa encerra uma das parcerias pessoais mais influentes do eixo Brasília–Lisboa, profundamente inserida na dinâmica real do poder.
Ao longo desses anos, Guiomar se consolidou como figura de prestígio nos círculos jurídicos e políticos de Brasília. Trabalhou no Ministério da Justiça, atuou como braço-direito do então ministro Marco Aurélio Mello no STF e ocupou a secretaria-geral da Corte durante sua presidência. Mantinha trânsito natural no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em gabinetes diversos – um capital político raro, independentemente do cargo formal que ocupava.
Gilmar Mendes, por sua vez, construiu carreira acadêmica na Alemanha, tornou-se procurador, consultor jurídico, advogado-geral da União e, indicado por Fernando Henrique Cardoso, assumiu a cadeira no Supremo. Foi nesse período, no início dos anos 2000, que os dois voltaram a conviver com mais frequência e retomaram o vínculo que se transformaria em família.
A vida familiar também se entrelaçou de forma definitiva: filhos, enteados e oito netos compõem o “familião” descrito por Guiomar. Os netos do ministro a chamam de “vovó Guio”, e ambos afirmam que esse convívio será mantido integralmente, apesar da separação.
Com humor fácil, enorme lealdade aos amigos e capacidade de unir mundos políticos distintos – ela era próxima, por exemplo, da ex-primeira-dama Marisa Letícia –, Guiomar fez de sua casa um dos epicentros sociais do poder em Brasília. Seu afastamento do posto de “primeira-dama” informal do STF marca, portanto, uma mudança simbólica no ambiente político da capital.
A separação, embora amigável, redefine um eixo histórico de influência que atravessou governos, crises, reconciliações políticas e disputas institucionais. E deve deixar uma lacuna na esfera social dos Poderes da capital do país.


