O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, do PT, inaugurou no último sábado, dia 27, as obras de requalificação e duplicação da Avenida Presidente Vargas, em Vitória da Conquista, no sudoeste do estado. A intervenção incluiu nova iluminação pública, ciclovia, calçadas ampliadas e a instalação de piso tátil, item obrigatório em projetos de acessibilidade urbana.
Apesar da entrega da obra, um detalhe acabou chamando a atenção de internautas e gerando repercussão nas redes sociais. Em um vídeo publicado pelo próprio governador, é possível ver que o piso tátil, que serve para orientar pessoas com deficiência visual, termina abruptamente em um ponto sem qualquer estrutura de apoio. As imagens mostram que o trajeto do piso tátil não leva a uma faixa de pedestres, ponto de ônibus, semáforo sonoro ou passarela, o que contraria as normas técnicas de acessibilidade.
Especialistas explicam que o piso tátil só cumpre sua função quando está integrado a um percurso seguro, contínuo e conectado a equipamentos urbanos essenciais. Após a publicação do vídeo, usuários passaram a questionar o planejamento da obra e a eficácia da política de acessibilidade adotada no projeto.
Alguns internautas classificaram a situação como simbólica e apontaram que a falta de integração do piso tátil pode, na prática, colocar em risco pessoas com deficiência visual, em vez de protegê-las. De acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas, a chamada NBR 9050, o piso tátil deve indicar caminhos acessíveis, alertar sobre obstáculos e conduzir o pedestre a locais seguros de travessia ou embarque.
Quando instalado de forma isolada, sem conexão lógica com o entorno, ele perde a função para a qual foi criado. Até o momento, o governo da Bahia não se manifestou oficialmente sobre o caso nem informou se haverá ajustes no trecho apontado. A obra faz parte de um conjunto de intervenções viárias realizadas pelo estado em Vitória da Conquista, com o objetivo de melhorar o fluxo de veículos e a mobilidade urbana na cidade.

