Médicos Vinícius dos Santos Oliveira (à esq), 35 anos e Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, foram mortos a tiros em Barueri
As vítimas são Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 anos
JP
Uma das linhas de investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre o assassinato de dois médicos mortos a tiros por Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, durante uma briga em um restaurante de Alphaville, na Grande São Paulo, é a disputa por uma licitação.
As vítimas são Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 anos.
Em entrevista ao programa Brasil Urgente da Band TV, o delegado do caso, Andreas Schiffmann, disse que a discussão sobre o dinheiro desta licitação pode ter motivado o duplo assassinato.
“Todos eles são médicos e donos de duas empresas concorrentes de gestão hospitalar. Esses desentendimentos já vinham ocorrendo há algum tempo e sempre eram relacionados a contratos de licitação que eles disputavam. No fundo, tudo corria em torno do dinheiro que esses contratos podiam gerar.”
O Estadão não conseguiu localizar a defesa de Silva Filho Em nota, a prestadora de serviços médicos Cirmed Brasil, de onde ele é sócio, afirmou que os crimes não correspondem “aos valores e princípios da instituição”.
A empresa afirma ter tomado conhecimento do fato “envolvendo, em âmbito estritamente pessoal, um de seus sócios” e ressaltou que se trata de “fatos pessoais e isolados”, que não se confundem com suas atividades institucionais, assistenciais ou operacionais.
O delegado do caso também afirmou que o encontro dos três médicos aconteceu de forma ocasional.
“O autor do crime já estava no restaurante quando os outros dois outros médicos chegaram. Ele estava numa mesa, num lado que fica de fora do restaurante, enquanto os outros dois estavam nas mesas de espera. Quando os médicos chegam, ele levanta, cumprimenta e começa a discutir de forma acalorada.”
No momento da discussão, Silva Filho estava desarmado, fato confirmado pelos agentes da Guarda Civil Metropolitana que fizeram uma revista no homem. Após a situação se acalmar, ele tira a arma de dentro de uma mala, fato que deve ser apurado pela polícia:
“Essa arma ele tirou de dentro de uma mala que ele sempre leva com ele. Precisamos apurar se essa mala já estava lá dentro do restaurante ou se foi trazida por alguém”, afirma o delegado.
Sobre o fato de testemunhas relatarem que uma mulher levou esta arma para o suspeito, o delegado Andreas Schiffmann disse que ela será ouvida. “Ela está identificada, vai ser ouvida, assim como os amigos que estavam com ele também, para esclarecer justamente esse ponto.”
Schiffmann avalia que Carlos Alberto Azevedo Silva Filho pode ser enquadrado em duas qualificadoras no crime de duplo homicídio: motivo fútil ou torpe, já que o caso envolve dinheiro E recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Entenda o caso
O crime ocorreu na noite de sexta-feira, 16, em um restaurante de Alphaville.
Imagens de câmeras de segurança mostram Silva Filho se aproximando da mesa onde estavam as vítimas e iniciando uma discussão. Em determinado momento, ele agride Luís Roberto, e Vinicius tenta intervir, entrando em luta corporal com o atirador. Funcionários do restaurante tentaram separar os três.
Após a briga, Luís Roberto e Vinicius deixaram o restaurante. Pouco depois, Silva Filho retornou armado e disparou várias vezes contra os dois, que morreram no local.
Agentes da Guarda Civil, que estavam nas proximidades, renderam e algemaram o médico, que foi preso em flagrante. No sábado, 17, Silva Filho passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva. A defesa dele não foi localizada.
Luís Roberto era cardiologista e trabalhava em um hospital municipal de Barueri. Vinicius, atingido por dois tiros, atuava em unidades de saúde de Cotia.
Parentes relataram, conforme o delegado, que a relação entre eles era marcada por rixas e ameaças. Vinicius era funcionário de Luís Roberto. A polícia informou que Carlos Alberto possui registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), mas não tinha porte de arma.


