31 de maio de 2026 15:43

Master: operador contratado por Vorcaro que foi alvo da PF quebra o silêncio. Vídeo

Consultor financeiro Ricardo Rodrigues fala pela 1ª vez após ter sofrido buscas da PF na operação sobre aportes do RioPrevidência no Master

Alvo da 8ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga aportes bilionários do RioPrevidência no Banco Master e fez busca e apreensão na residência do ex-governador Cláudio Castro (PL), no Rio de Janeiro, o consultor financeiro Ricardo Siqueira Rodrigues(foto em destaque) decidiu quebrar o silêncio e falar sobre os serviços prestados ao banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso.

Em entrevista exclusiva ao Metrópoles (assista abaixo), Rodrigues detalha como foi contratado e pago por Vorcaro para ajudá-lo a captar recursos de fundos de previdência estaduais e municipais (RPPS), nega ter atuado como lobista do banqueiro junto a políticos, e afirma que vai revelar à Polícia Federal (PF) quem é o “dono” que precisava autorizar politicamente os investimentos do RioPrevidência no Master, como ele disse em um áudio enviado a Vorcaro, em outubro de 2023.

RioPrevidência: operador contratado por Daniel Vorcaro fala ao Metrópoles após ser alvo da PF

No áudio transcrito pela PF na representação que embasou a operação da última semana, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Rodrigues diz que o RioPrevidência “tem um dono e esse dono precisa autorizar os caras internamente” para comprar as letras financeiras (títulos de renda fixa) do Master.

“Então assim, o que eu posso fazer é dar um encaminhamento técnico. Lá [RioPrevidência] é diferente dos outros lugares, mas esse encaminhamento político tem que ser feito, porque lá tem dono, tá?”, disse Rodrigues a Vorcaro no áudio de 2023.

Ao todo, foram R$ 970 milhões aplicados em letras financeiras do Master, entre outubro de 2023 e julho de 2024. Posteriormente, o RioPrevidência investiu mais R$ 2 bilhões em fundos ligados ao banco de Vorcaro.

Questionado pelo Metrópoles sobre quem seria esse “dono”, Rodrigues diz que pretende revelar o nome primeiro à PF ou à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas afirma que Cláudio Castro não era o único político com influência no RioPrevidência.

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O ex-governador Claudio Castro  é alvo de nova operação da Polícia Federal
Operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal
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“Esse dono específico, com relação ao Rio de Janeiro, eu estou aguardando aqui para poder prestar depoimento dentro dos próximos dias à Polícia Federal ou à PGR. Prefiro que essa informação seja divulgada primeiro neste depoimento lá”, diz Rodrigues.

“O Cláudio Castro, com quem eu nunca tive contato, é claro que tinha uma influência enorme, já que era o governador do Estado. Mas eu entendo que não era só ele que tinha influência bem elevada com relação à possibilidade ou não de liberar esses investimentos [do RioPreviência] para serem feitos [no Master]”.

No meio político do Rio, é atribuída ao presidente do União Brasil, Antônio Rueda, a indicação de dirigentes do RioPrevidência na gestão Cláudio Castro, como o ex-presidente do instituto Deivis Marcon Antunes, que foi preso em fevereiro deste ano em uma das operações envolvendo o caso Master. Rueda, que recebeu R$ 6,4 milhões do Master por meio de escritório de advocacia, tem negado qualquer influência no RioPrevidência.

“Prefiro não me manifestar muito nesse momento a respeito desse assunto. Mas já escutei, assim como diversas pessoas já me falaram também a respeito disso [influência de Rueda no RioPrevidência]. Mas eu prefiro me resguardar de declinar nomes nesse momento”.

Pagamentos via empresa suspeita

Na representação enviada ao ministro André Mendonça, a PF descreve Ricardo Rodrigues como um “articulador, captador e lobista que desempenhava papel ativo na captação de investimentos e identificação de oportunidades de negócios repassadas a Daniel Vorcaro”, a quem cabia atuar na “aproximação a autoridades públicas com poder de decisão sobre os fundos”.

Segundo a PF, Rodrigues recebia uma comissão de 0,6% sobre os valores captados para o Master, que era paga por meio da empresa Mídias Promotora. Os investigadores afirmam também que a Mídias “tinha o propósito de escoar as vantagens indevidas aos arquitetos e agentes políticos da fraude”, que era vinculada a Rodrigues e que ele teria recebido R$ 41,9 milhões por meio da empresa.

“Pelo que eu entendi do ecossistema [do Master], era um procedimento comum que determinadas operações ou determinadas pessoas fossem pagas por empresas satélites, vamos dizer assim, e o dinheiro não saía direto do banco. Então, assim foi. Só para ficar claro: eu nunca recebi dinheiro nenhum do RioPrevidência, nunca recebi dinheiro nenhum do banco Master”, diz Rodrigues.

Ainda de acordo com Rodrigues, o trabalho para para buscar aportes de fundos de previdência no Master só foi possível porque o Banco Central (BC) tinha elevado a classificação da instituição de Vorcaro em 2023 e aprovado um plano de negócios autorizando a captação de R$ 17 bilhões junto a RPPS.

Segundo Rodrigues, a consultoria a Vorcaro foi encerrada, em setembro de 2024, diante da repercussão negativa no mercado envolvendo o veto dentro da Caixa Asset para uma possível compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do Master, e do início das negociações sobre compra de ações pelo Banco de Brasília (BRB), operação que culminou no atual escândalo e nas prisões dos chefes das duas instituições.

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