Presidente Lula visitou Itajaí e generalizou críticas sobre racismo, em Santa Catarina. (Foto Ricardo Stuckert/PR)
Presidente citou ‘supremacia branca’ e ‘racismo’ contra SC, que derrota o PT desde 2006
Davi Soares –
O presidente Lula (PT) ofendeu catarinenses, citando o nazista Adolf Hitler, e ignorou seus próprios apoiadores e militantes de esquerda, durante sua visita oficial a Itajaí (SC), nesta sexta-feira (26). Ao discursar no Estado que rejeita Lula e o PT há 20 anos, o petista atacou o governador Jorginho Mello (PL) e reforçou uma acusação de supremacia branca contra catarinenses, sugerindo que não se pode permitir que o racismo prevaleça em Santa Catarina, na agenda organizada com restrições ao público.
“Vocês não podem permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo”, disse Lula, ao criticar suposta “síndrome de grandeza” pelo estado ser rico e não ser pobre. E defendeu que todo mundo tem que ser tratado igual no Brasil, sugerindo que não gostam dele porque o povo negro está na universidade na mesma proporção que o branco.
“Não tem o cara porque é branco que é melhor do que o que é negro. O cara que é nordestino é pior do que o do Sul do País. Que história que é essa? A gente não aceita. Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou. A gente não pode permitir essa essa ideia da hegemonia branca sobre o restante do país. […] Isso não é hegemonia branca, é hegemonia da ignorância”, disparou Lula, diante da plateia resumida que o aplaudia.
‘Melhor que catarinenses’
Na mesma fala, Lula afirmou ter orgulho de ser nordestino, pernambucano, exaltando ter investido e feito mais por Santa Catarina do que os catarinenses que governaram o Estado. E se referiu ao governador Jorginho Mello, dizendo nem saber o nome dele.
“Sou pernambucano, sou pernambucano, sou nordestino, mas duvido que algum governador catarinense fez por Santa Catarina o que eu fiz como presidente da República. Compara tudo que eu fiz aqui com o atual governador. Você vai perceber que a única coisa que ele fez foi tagarelar, falar mal dos outros”, disse o petista.
“Qual é o tamanho da cabeça desse cidadão? Qual é a qualidade da massa encefálica que ele tem na cabeça? Qual é? É de se pesquisar. Porque um ser humano não pode ser pequeno a ponto de não privilegiar os interesses do povo de Santa Catarina”, atacou Lula.
Ao tentar justificar a falta de condições de abrir o evento ao público sem o risco de manifestações da maioria de eleitores historicamente de oposição no Estado, Lula sugeriu ter feito questão de, em Santa Catarina, alterar o formato dos atos que costumam ter palanque, para discursar diante da imprensa, com “alguns amigos do lado”.
Agenda restrita e flopada
No evento da manhã, de inauguração de uma fragata, o público foi restrito a autoridades e convidados, sob o argumento de proteção à comitiva presidencial. O que deixou parte da militância irritada e decepcionada com Lula, mas também confirmou a escassez de apoiadores no Estado em que o PT teve sua primeira e última vitória, em 2022, no primeiro mandato presidencial petista contra José Serra (PSDB).
Já para a visita ao estaleiro Detroit Brasil, à tarde, a segurança da Presidência da República reservou um espaço separado do evento principal, com capacidade de cerca de 700 pessoas. Mas de acordo com o Jornal Razão, cerca de 10 pessoas teriam usado o espaço.
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