Evento em alusão ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha reuniu lideranças, educadoras e palestrantes no plenário da Casa de Leis
Na noite desta quarta-feira (22), a Câmara realizou um seminário com o tema “Vozes que ecoam”, uma propositura da vereadora Evalda Reis e presidido por Cidolina de Fátima Silva Souza, presidente do Movimento de Luta das Mulheres Negras de Três Lagoas. O evento também contou com a presença de alguns jovens vereadores do Programa Parlamento Jovem: Mariana Tiago da Silva (Escola Funlec, apadrinhada pelo vereador Tonhão), Alícia Pereira (EE Jomap, apadrinhada pelo vereador Prof. Pedrinho Junior), Diogo de Sordi (IFMS, apadrinhado pelo vereador Fernando Jurado) e Maria Eduarda (EE Dom Aquino, apadrinhada pelo vereador Daniel da Farmácia).
Após o hino nacional, fez-se um minuto de silêncio pela morte do jornalista Adilson, que sofreu um infarto fulminante durante a tarde. Após o ator de pesar, Cidolina fez a abertura, ressaltando a evolução histórica do evento no município e a importância de promover debates efetivos para a sociedade. A presidente citou a escritora Conceição Evaristo ao falar sobre o papel transformador das lideranças comunitárias: “o importante não é ser o primeiro ou primeira, o importante é abrir caminhos. Então nós estamos aqui nesta noite abrindo caminhos”.
Depois, iniciaram as palestras com Gislaine Imaculada de Matos Silva e Luciana Cardoso do Nascimento Silva, Franciele Soares da Silva. Deise Cristina Silva de Camargo, presidente do Conselho Municipal dos Direitos do Negro e Deividson de Deus Silva, subsecretário de políticas públicas para promoção da igualdade racial do Estado, também marcaram presença e se colocaram à disposição para ajudar a fazer essas vozes ecoarem.
A primeira palestrante da noite foi a bibliotecária, documentarista e coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) do IFMS Campus Três Lagoas, Dra. Gislaine Imaculada de Matos Silva. Em sua apresentação, abordou a literatura afro-brasileira e o conceito de ancestralidade.
“A ancestralidade não é apenas uma lembrança do passado. Ela é uma tecnologia de resistência, nos ensina como permanecermos vivos, nos ensina como reconstruir o mundo quando tentam destruí-lo e nos ensina que a memória também é um direito”, declarou Gislaine, que também abordou o combate às discriminações de matriz africana, destacando a necessidade da terminologia adequada. “O termo correto seria racismo religioso. E eu faço questão de usar essa expressão porque não se trata apenas de intolerância religiosa. O que acontece é que determinadas religiões são perseguidas porque estão profundamente associadas à população e à cultura negra”.
Dando sequência à programação, a professora da Rede Estadual de Ensino de MS e mestre em Educação, Luciana Cardoso do Nascimento Silva, palestrou sobre o tema “Resistência e Direitos”. Luciana resgatou o legado de Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII que simboliza o Dia Nacional da Mulher Negra no Brasil.
“Tereza não apenas resistiu. Ela governou, organizou e construiu uma experiência concreta de autonomia”, enfatizou a palestrante. Luciana convocou a união de esforços para a superação das desigualdades estruturais: “se no século XVIII Tereza de Benguela lutava para garantir a liberdade e a sobrevivência do seu povo, no século XXI nossa missão é construir uma sociedade fundada na igualdade racial, na reparação histórica e no bem viver”.


