20 de setembro de 2026 08:23

Agência de saúde nos EUA aprova remédio que ajuda a preservar músculos no emagrecimento

Foto: Heung Soon/ Pixabay

Isembyld foi liberado para tratar atrofia muscular espinhal, mas também é testado ao lado da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro

Davi Pereira – Diário do Poder

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou o Isembyld, primeiro medicamento a agir diretamente sobre os músculos no tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), doença genética rara que provoca fraqueza e perda progressiva de força muscular. O fármaco, cujo princípio ativo é o apitegromab-mstn, também vem sendo estudado como aliado na preservação de massa muscular durante o emagrecimento com tirzepatida, substância usada no Mounjaro.

Como funciona o novo tratamento

A AME é causada por alterações genéticas que comprometem a produção de uma proteína essencial à sobrevivência dos neurônios motores. Com o avanço da doença, os músculos perdem força progressivamente, o que pode afetar funções como sentar, caminhar e respirar.

Os tratamentos já disponíveis atuam na origem genética da doença, estimulando a produção da proteína que preserva os neurônios. O apitegromab segue um caminho diferente: bloqueia a ativação da miostatina, proteína que naturalmente limita o crescimento muscular. Segundo a FDA, a estratégia amplia a capacidade dos músculos e melhora os movimentos dos pacientes, complementando as terapias já utilizadas contra a doença — entre elas, os medicamentos direcionados ao gene SMN2.

A aprovação foi baseada no estudo de fase 3 SAPPHIRE, que avaliou 188 pacientes entre dois e 21 anos incapazes de caminhar ou se movimentar de forma independente e que já utilizavam terapia direcionada ao gene SMN2. Durante 52 semanas, os participantes receberam apitegromab ou placebo por infusão intravenosa a cada quatro semanas. A análise principal considerou 156 crianças entre dois e 12 anos. Scholar Rock, Inc.

Entre as que receberam a dose de 10 mg/kg, 34,2% apresentaram melhora clinicamente significativa na função motora, contra 13,5% no grupo placebo. As reações adversas mais frequentes foram infecções das vias respiratórias superiores, vômitos, tosse, dor de cabeça, gastroenterite e faringite. A FDA alerta ainda para risco de fraturas e recomenda cuidados específicos durante a gravidez, devido a potencial dano ao feto.

Uso com tirzepatida ainda é experimental

O estudo EMBRAZE envolveu apenas 102 voluntários e acompanhou os resultados por 24 semanas — prazo ainda curto para avaliar efeitos de longo prazo. A pesquisa foi financiada pela Scholar Rock, fabricante do apitegromab, que participou do desenvolvimento e da análise dos dados.

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