Ciúme é hipótese para duplo homicídio em Ceilândia; suspeitos já moraram no mesmo conjunto de kitnets que as vítimas
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Larissa Rodrigues de Paula, de 24 anos, jantava com o companheiro, o cantor Arlandson de Sousa Alves, de 26, conhecido como Alan Tons, quando um homem armado invadiu a casa onde os dois moravam, em Ceilândia (DF), e atirou contra o casal. Ela, no entanto, não seria o alvo inicial e teria sido morta como queima de arquivo, por estar presente no momento do crime, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
O duplo homicídio ocorreu por volta das 2h50 de domingo (11/10). Os principais suspeitos são João Victor Rodrigues Alves de Oliveira e Tancredo Pereira da Silva, de 41 anos. Os dois já haviam morado no mesmo conjunto de kitnets que as vítimas. João Victor se apresentou à 15ª Delegacia de Polícia (DP), em Ceilândia, e negou participação nos assassinatos. Tancredo foi preso nesta quarta-feira (14/10).
Segundo o delegado Ataliba Neto, o crime teria sido motivado por ciúmes. Os suspeitos acreditavam que Alan estivesse interessado em suas respectivas companheiras. A mulher de Tancredo foi ouvida pela polícia e negou que Alan tivesse dado em cima dela, e relatou que o companheiro costumava desconfiar de que o cantor a observava quando bebia.




Motorista de aplicativo ajudou a polícia a chegar a Tancredo
Um dos elementos que ajudaram os investigadores a chegar a Tancredo foi o relato de um motorista de aplicativo que o levou até as proximidades da casa das vítimas na madrugada do crime. Em áudios enviados a um amigo, o trabalhador contou que o passageiro perguntou o que ele faria se outro homem paquerasse sua companheira e afirmou que pretendia se vingar de alguém que estaria dando em cima de sua mulher.
“Ele disse que tinham dado em cima da mulher dele, aí eu perguntei se ela tinha contado, e ele disse que viu pelas câmeras e que ia matar o cara”, relatou o motorista na gravação.
Segundo o trabalhador, Tancredo também mostrou uma pistola e dois carregadores durante a corrida. Em outro áudio, é possível ouvir disparos. Ao comentar o barulho, o motorista demonstrou acreditar que o passageiro havia cometido o crime.
“Eu boto fé que ele matou mesmo”, disse em uma das gravações. Em outra, ao reagir aos tiros, afirmou: “Foi tiro pra caralho. Acho que matou mesmo”.
Os áudios foram entregues à Polícia Civil e são analisados pelos investigadores para reconstruir o trajeto do suspeito e esclarecer sua participação no crime.
Uma câmera de segurança também registrou o som dos disparos.
Suspeito teria ameaçado o casal
Quando João Victor morava no mesmo lote que Alan e Larissa, ele vivia com a companheira e teria sido repreendido pelo casal após episódios de agressão contra a mulher. Segundo a polícia, João Victor já havia sido preso duas vezes por violência doméstica e, após a última detenção, ameaçou se vingar das vítimas.
A suspeita de envolvimento de João Victor no duplo homicídio também é investigada a partir de contradições em seu depoimento. Ele afirmou que estava em uma distribuidora de bebidas na noite do crime, mas informações obtidas pela polícia indicam que não esteve no estabelecimento.
“A gente quer apurar de fato o que aconteceu. Se ele realmente estava lá dentro, se ele só instigou, induziu, auxiliou no planejamento, entregou a chave do imóvel para facilitar a entrada do executor do crime”, afirmou Ataliba Neto.



