Segundo a PF, Roberta Luchsinger representa elo entre Careca do INSS e Lulinha, de quem é amiga
A corporação descobriu transferências de uma empresa da qual a amiga de Lulinha é sócia, a RL Consultoria e Intermediações Eireli, para a Jival Comércio de Joias, que reforçaram os indícios de lavagem de dinheiro. As transações foram fatiadas, o que a PF vê como possível dissimulação da natureza e da origem dos valores.
Relatórios do Coaf identificaram que a RL Consultoria e Intermediações Eireli recebeu R$ 18,2 milhões. Desse total, R$ 1,1 milhão foi repassado pela Brasília Consultoria Empresarial, empresa do Careca do INSS. Só então ocorria a conversão das cifras para artigos de luxo.





Outros valores foram para Roberta e o pai dela, Roberto Pedro Paulo Luchsinger, de quem era sócia. Mais R$ 1,9 milhão foi para a Ski Brasil Viagens e Turismo.
“Transações com JIVAL COMÉRCIO DE JOIAS (R$ 474.554,00) e SKI BRASIL VIAGENS E TURISMO (R$ 1.962.215,03) indicam possível lavagem por meio de artigos de luxo e turismo”, escreveu a PF.
Em nota, a defesa de Roberta Luchsinger informou à coluna que todas as joias foram adquiridas regularmente, mediante emissão das devidas notas fiscais e com certificação de autenticidade. “Não há qualquer sentido em se falar em lavagem de dinheiro por meio da regular aquisição de bens, mediante transferências bancárias regulares e que são de uso pessoal”, disse o advogado Bruno Salles.
Ligação entre Roberta, Lulinha e Careca do INSS
Os três são alvo da Operação Sem Desconto, que investiga a fraude dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Conforme a investigação da PF, Roberta seria o elo de ligação entre o lobista e Lulinha, primogênito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A coluna revelou que a empresária e o Careca do INSS tentaram fazer um lobby dentro do Ministério da Saúde para defender os interesses de uma empresa de tecnologia e da World Cannabis na pasta. Neta do falecido ex-banqueiro suíço Peter Paul Arnold Luchsinger, Roberta ganhou visibilidade ao prometer uma doação de R$ 500 mil a Lula, quando o presidente sofreu um bloqueio bancário na Operação Lava Jato.



