29 de abril de 2026 16:01

Quem é o deputado que devolverá R$ 1,4 milhão por empregar “fantasmas”

Deputado federal João Carlos Paolilo Bacelar Filho fechou acordo com a PGR para devolver dinheiro aos cofres públicos

O deputado federal João Carlos Paolilo Bacelar Filho (PL-BA) está no centro das atenções políticas do país após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter aceitado um acordo para que o parlamentar devolva R$ 1,4 milhão aos cofres públicos por manter funcionárias fantasmas.

Com 53 anos e natural de Salvador, Bacelar recebe salário mensal bruto de R$ 46.366,19. O parlamentar é ligado a pautas dos setores da construção civil, do agronegócio e de combustíveis e lubrificantes, áreas das quais também exerce função como empresário.

Seu primeiro mandato foi em 2006, como deputado federal pelo Partido Liberal. Desde lá, vem se reelegendo para o mesmo cargo, consecutivamente, num total de cinco eleiçoes vencidas. Nesse meio tempo também já atuou pelo Partido da República (PR).

Seu gabinete conta com 29 funcionários atualmente. Possui passaporte diplomático e faz uso de um imóvel funcional desde maio de 2017.

É filho do ex-deputado federal João Carlos Paolilo Bacelar (PTN-BA), o Jonga Bacelar, morto em 2009. Tem especialização em infraestrutura e engenharia civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia.

Na Câmara dos Deputados, é integrante das bancadas da segurança pública, ruralista e evangélica, além de titular nas comissões: especial sobre Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde, de Minas e Energia e especial sobre o Sistema Portuário Brasileiro (PL 0733/25). É ainda suplente na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle e na de Desenvolvimento Urbano.

Contra o impeachment

Em abril de 2016 votou contra o impeachment de Dilma Rousseff e teria pedido uma propina milionária ao empresário Joesley Batista para comprar votos de outros 30 parlamentares para que votassem como ele. A acusação foi feita em 2017 pelo próprio dono da JBS, em delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

Na mesma época, Bacelar foi acusado por uma adolescente de 17 anos de assédio sexual em mensagens enviadas pelo WhatsApp, enquanto ela tentava convencê-lo de votar a favor do impeachment da ex-presidente, numa “blitz” do movimento Brasil Livre. Na ocasião, o deputado alegou que quem mandou as mensagens teria sido um assessor parlamentar.

Também foi o único deputado federal da bancada baiana a votar a favor da manutenção do mandato de Eduardo Cunha, ex-presidente da Casa, cassado por quebra de decoro parlamentar.

Ano passado, o deputado foi citado em um documento de negócio imobiliário apreendido com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Assina ainda uma PEC para permitir a acumulação de cargos públicos por outros profissionais da área da educação e outra para que empregados possam optar quanto à jornada de trabalho, entre o regime comum previsto pela CLT ou um flexível baseado em horas trabalhadas.

Funcionárias fantasma

Ao firmar o acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2023, para evitar o prosseguimento da ação penal e que agora teve o consentimento de Moraes, o parlamentar admitiu que utilizou verbas da Câmara dos Deputados destinadas à contratação de pessoal para remunerar pessoas que, na prática, prestavam serviços de natureza privada à sua família e às suas empresas.

Uma delas envolvia o uso de uma empregada doméstica como servidora pública. Maria do Carmo Nascimento, que trabalhava há mais de 15 anos para a família, foi nomeada como secretária parlamentar, com salário elevado e gratificações.

Receba Informações na Palma da Sua Mão

Está gostando do conteúdo? Compartilhe

Facebook
WhatsApp
Telegram
Twitter
Email
Print