Uma terceira investigada também foi indiciada por suposta participação na destruição de provas
A Polícia Civil de Roraima concluiu a investigação que apura uma série de crimes sexuais contra adolescentes supostamente praticados por um casal que se apresentava como pastor e pastora evangélicos.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e tiveram início após o registro de um boletim de ocorrência, em abril deste ano, envolvendo uma adolescente de 14 anos.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroAo longo da apuração, outras cinco vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, procuraram a Polícia Civil relatando situações semelhantes.
A Polícia Civil afirma que os investigados recorriam a argumentos de natureza religiosa para manter as vítimas sob influência e, em alguns casos, ofereciam dinheiro, transferências via Pix e outras vantagens para impedir que os abusos fossem denunciados.Conforme a delegada Kamilla Basto, responsável pelo inquérito, a estrutura de autoridade exercida pelos investigados contribuiu para dificultar a revelação dos fatos.
Segundo a Polícia Civil, documentos da própria instituição religiosa previam punições para integrantes que promovessem “rebeldia” ou
“dissidência” contra a autoridade da igreja, circunstância que, na avaliação da investigação, reforçava o ambiente de intimidação.
De acordo com o inquérito, uma mulher de 20 anos teria participado da destruição de um telefone celular pertencente ao pastor., com auxílio de uma adolescente e de uma das vítimas.
A investigação também aponta que, para justificar o desaparecimento do aparelho, uma das vítimas teria sido orientada a registrar um boletim de ocorrência falso informando o extravio do celular.
No relatório final, a Polícia Civil destaca que não houve consentimento livre das vítimas e sustenta que os atos ocorreram em um contexto de manipulação psicológica, abuso de autoridade religiosa e coerção, circunstâncias que, segundo a corporação, afastam qualquer alegação de voluntariedade.
Com a conclusão do inquérito, Wenderson Lima foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica.
Já Arielly Kamyla responderá, em tese, pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
Ministério Público. A delegada responsável pelo caso também representou pela prisão preventiva dos dois líderes religiosos, pedido que será analisado pela
Justiça.


