Chancelaria paraguaia diz que manterá agenda bilateral, mas cobra devolução de troféus da Guerra da Tríplice Aliança e repudia declaração
Ao mesmo tempo, Assunção reiterou o pedido para que Brasília devolva troféus e objetos históricos relacionados ao conflito.
“Continuaremos trabalhando em uma agenda construtiva e positiva”, afirmou Ramírez.
Segundo ele, o objetivo do Paraguai é preservar a relação bilateral, mesmo diante do desgaste diplomático.
Na nota entregue ao representante brasileiro, o governo paraguaio também voltou a reivindicar a restituição do Canhão Presidente López, do Canhão Cristiano, de outros troféus de guerra e de cópias de documentos históricos sobre a Guerra da Tríplice Aliança que permanecem em arquivos brasileiros.
Embaixador diz que fala foi tirada de contexto
“A mensagem era que as declarações do presidente Lula foram tiradas de contexto, que não era sua intenção ofender o Paraguai e os paraguaios, que ele está verdadeiramente comprometido com a integração e que o governo brasileiro lamenta que isso tenha assumido essa dimensão”, disse Ramírez.
O ministro acrescentou que os dois lados também discutiram temas da agenda bilateral, como o processo de integração entre os países e a gestão compartilhada da Usina Hidrelétrica de Itaipu.
Apesar disso, o governo paraguaio reiterou a expectativa de que o Brasil aceite devolver os objetos históricos levados após o conflito.
“Esperamos uma resposta positiva do Brasil”, afirmou o chanceler.
Brasil descarta devolver peças
Nos bastidores, entretanto, a devolução dos troféus não deve avançar. Fontes do governo brasileiro, consultadas pelo Metrópoles, afirmam que a restituição dos objetos históricos não está em discussão e consideram que as peças integram o patrimônio histórico nacional.
O pedido foi formalizado pelo Paraguai após Lula declarar, durante visita a uma fábrica da Avibras, no interior de São Paulo, que o Brasil é um país pacífico, mas que “um belo dia, o Paraguai resolveu invadir” o território brasileiro, dando início à Guerra da Tríplice Aliança.
Além de convocar o embaixador brasileiro para prestar esclarecimentos, a chancelaria paraguaia divulgou uma nota de repúdio, na qual rejeita integralmente a interpretação apresentada pelo petista e sustenta que ela distorce acontecimentos de grande relevância para a história e a identidade nacional do país.
Crise pontual
- Apesar do desconforto diplomático, o episódio é tratado pelo governo brasileiro como um “ruído conjuntural”.
- A avaliação é de que a crise não deve comprometer a relação entre os dois países, que mantêm uma ampla agenda de cooperação em áreas como energia, comércio e segurança na fronteira.
- A Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, foi o maior conflito armado da história da América do Sul.
- Travada entre 1864 e 1870, opôs o Paraguai à aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai, deixando profundas marcas na história paraguaia.
- Estimativas apontam que cerca de metade da população do país morreu durante a guerra, considerada até hoje um dos principais traumas da identidade nacional paraguaia.


