6 de agosto de 2026 18:25

MPMG quer impedir shows de R$ 1,8 milhão em cidade de 4 mil habitantes

Ação questiona gastos da Festa da Banana em Santa Bárbara do Tugúrio e cita impacto nas contas públicas do município.

metropoles.com/author/daniel-galera

Belo Horizonte – O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ajuizou uma Ação Civil Pública com pedido de tutela de urgência para suspender gastos de R$ 1.816.000,00 destinados à contratação de artistas para a 40ª Festa da Banana, em Santa Bárbara do Tugúrio, na região do Campo das Vertentes.

A ação questiona as contratações dos cantores Ana Castela, Gustavo Mioto, Muriel Alves, Igor Ferrari, Yuri e Troy e Delino Marçal. Segundo a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Barbacena, embora os contratos tenham sido firmados por meio de inexigibilidade de licitação, há indícios de desproporcionalidade entre os valores investidos e a capacidade financeira do município.

De acordo com estudo elaborado pela Central de Apoio Técnico (Ceat) do MPMG, o montante previsto apenas para os shows supera a arrecadação própria estimada de Santa Bárbara do Tugúrio para 2026, calculada em cerca de R$ 930 mil.

O levantamento também aponta um aumento expressivo das despesas municipais com eventos festivos nos últimos anos. Os gastos passaram de aproximadamente R$ 1,6 milhão em 2024 para R$ 4,9 milhões em 2025. Apenas os investimentos relacionados à Festa da Banana cresceram mais de 300% no período analisado.

Estudo técnico

Ainda conforme o estudo técnico, o município realizou remanejamentos orçamentários superiores a R$ 4,6 milhões entre 2024 e 2026 para custear eventos, com recursos oriundos da anulação de dotações destinadas originalmente a áreas como saúde, educação e infraestrutura.

Na ação, o promotor de Justiça Vinicius de Souza Chaves argumenta que despesas dessa magnitude violam os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, economicidade, eficiência e moralidade administrativa. O Ministério Público destaca que não se opõe à realização de eventos culturais, mas defende que os investimentos públicos sejam compatíveis com a realidade financeira do município e não comprometam serviços essenciais.


Entre os pedidos apresentados à Justiça estão:

  • Suspensão dos pagamentos relacionados aos contratos
  • Bloqueio dos valores ainda não desembolsados
  • Proibição da realização dos shows contratados
  • Limitação dos gastos municipais com eventos artísticos aos valores praticados em 2024, corrigidos pela inflação

Receba Informações na Palma da Sua Mão

Está gostando do conteúdo? Compartilhe

Facebook
WhatsApp
Telegram
Twitter
Email
Print