14 de agosto de 2026 11:33

Lobista amiga de Lulinha era habitué do Ministério da Saúde

Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e intermediária na relação com o Careca do INSS. (Foto: Reprodução/Instagram/Acervo Pessoal).

Roberta Luchsinger circulava por gabinetes de ministérios e de parlamentares

Rodrigo Vilela – Diário do Poder

Registros oficiais da Câmara dos Deputados mostram que Roberta Luchsinger esteve em seis gabinetes da Casa desde dezembro de 2022.

Entre os destinos estão o gabinete de Alexandre Padilha, então deputado e hoje ministro da Saúde, e a Liderança do Governo na Câmara, já no início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

Luchsinger foi ao gabinete de Padilha em 7 de dezembro de 2022, às 16h19. Segundo a assessoria do ministro, o encontro ocorreu com a então ex-candidata a deputada estadual e pré-candidata a deputada federal por São Paulo. Em 2018, ela disputou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo pelo PT e recebeu 14.134 votos.

Pouco mais de um mês depois, em 24 de janeiro de 2023, Luchsinger esteve na Liderança do Governo na Câmara. Naquele ano, o cargo era ocupado pelo deputado José Guimarães (PT-CE).

Os registros mostram ainda que ela esteve no gabinete do deputado Florentino Neto (PT-PI), em 20 de abril de 2023, e visitou duas vezes o gabinete de Fábio Macedo (Podemos-MA), nos dias 20 de abril e 10 de maio daquele ano. Também passou pela Liderança do Podemos em 8 de fevereiro de 2023.

A última visita registrada ocorreu em 3 de setembro de 2025, no gabinete do então deputado Otto Alencar Filho (PSD-BA). Hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, ele afirmou conhecer Luchsinger da época em que atuava na Câmara e disse não se recordar do assunto tratado no encontro.

Luchsinger é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e passou a ser investigada pela Polícia Federal justamente por sua relação com ele e com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Segundo a PF, a empresária aparece como um dos elos entre os dois. Em depoimento, ela afirmou ter apresentado Lulinha a Antunes em um contexto social.

A investigação também identificou pagamentos de R$ 1,5 milhão, em parcelas, de empresas ligadas ao Careca do INSS para uma empresa de Luchsinger. Em uma das mensagens apreendidas pela PF, Antunes teria solicitado a transferência de R$ 300 mil para uma empresa em nome da empresária. A polícia investiga se a expressão “filho do rapaz”, usada na conversa para se referir ao destinatário final, fazia referência a Lulinha.

A relação entre Roberta e Antunes, segundo a versão apresentada por ela à PF, estaria ligada a serviços de consultoria e intermediação relacionados à regulação do mercado de canabidiol. Ela negou ter repassado dinheiro a Lulinha e afirmou que ele não recebeu qualquer remuneração pelos serviços relacionados ao setor. A defesa também nega irregularidades.

A circulação de Roberta por gabinetes da Câmara e por órgãos do governo ganha relevância justamente por ocorrer em paralelo às investigações sobre suas relações com Lulinha e o Careca do INSS. Ela também já era conhecida por frequentar o Ministério da Saúde e, segundo reportagem anterior, alegava ter influência sobre a liberação de recursos da pasta.

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