16 de outubro de 2026 10:07

Ato pró-Lula em SP é cancelado após veto da prefeitura e racha na esquerda

Prefeitura de São Paulo vetou Anhangabaú por suposto rico de enchente. UNE reservou Largo da Batata, mas promoverá eventos na periferia

O grande ato a favor da campanha de Lula que estava marcado para acontecer em São Paulo no domingo (18/10) foi cancelado, ao menos formalmente. Primeiro a prefeitura de São Paulo impediu que ele acontecesse no Vale do Anhangabaú, para onde estava marcado, alegando risco de enchente – em um dia sem previsão de chuva forte.
Depois, um racha na esquerda barrou o plano de realizá-lo no Largo da Batata, em Pinheiros. A ideia de União Nacional dos Estudantes (UNE) é mobilizar os lulistas para promover eventos na periferia da cidade, com o objetivo de fazer panfletagem e virar voto.
O ato central foi convocado a partir de um grupo de Whatsapp que reúne diversos grupos de esquerda, com o Movimento Revoluciona Brasil (MRB), que se diz apartidário e em defesa de pautas sociais e dos trabalhadores, assumindo como organizador perante aos órgãos públicos.
Com a Avenida Paulista reservada para aquele que promete ser o grande evento de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no domingo, o grupo de esquerda inicialmente marcou a reunião a favor de Lula para o Vale do Anhangabaú. Na quarta, depois de o túnel que passa debaixo do Vale alagar, a subprefeitura da Sé informou que o ato não poderia acontecer ali por risco de alagamento, apesar de não haver previsão de chuva forte para o domingo – o que há é um evento privado previsto para a tarde pela concessionária Novo Anhangabaú.

Plano B

O MRB então informou, nas redes sociais, que o ato seria transferido para o Largo da Batata. Antes que o grupo protocolasse ofícios para a subprefeitura de Pinheiros e para a Polícia Militar informando da manifestação em Pinheiros, a UNE teria feito o mesmo, garantindo a prioridade da utilização do espaço.

A coluna apurou, contudo, que os estudantes não farão uso desse direito. Deverão “segurar” o Largo da Batata para que ele não seja utilizado, por temer atos de violência. Com duas razões principais. A primeira é o fato de o acesso se dar pela Linha Amarela do Metrô, que também leva à avenida Paulista, o que poderia causar conflitos entre bolsonaristas e lulistas.

O segundo é um temor de que os organizadores conseguissem puxar uma caminhada até a sede do Google, já no coração financeiro da Faria Lima, como vinham prometendo. A ideia é evitar que movimentos radicais repitam os atos de vandalismo do último domingo, que viraram arma do bolsonarismo contra a campanha de Lula.

A estratégia da UNE é trocar uma área despovoada por ações na periferia, onde há mais votos para serem virados num domingo. “A UNE entende que o foco no momento é mobilizar comunidades e periferias de SP para virar votos, e convida todos aqueles dispostos a reeleger Lula presidente a se somar nesse desafio”, disse a entidade, em nota à coluna, sem responder sobre a reserva do Largo da Batata. A entidade estudantil já chamou atos no Grajaú (zona sul), Cachoeirinha (zona norte) e Itaquera (zona leste) para a tarde de domingo.

Criticado nas redes por “desistir” do ato de domingo, o MRB se posicionou pelo X: “Muitas coisas ocorrem por de baixo dos tapetes, coisas que nem nós tínhamos noção que poderia acontecer. O cancelamento do ato veio por uma ordem muito maior do que poderíamos rebater, por algo completamente acima de nós que nos deixou de mãos atadas, mas em nossos grupos ainda insistimos para vocês irem as ruas no dia 18, especialmente em outros atos para mostrar a nossa força”, disse o grupo, afirmando não poder dizer mais do que isso antes do segundo turno.

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