18 de fevereiro de 2026 18:06

Festas do Master: quem seria o “p… das galáxias” do Judiciário?

Era inevitável que houvesse sexo entre os ingredientes do escândalo do Master. Haveria um suposto vídeo estrelado por um personagem poderoso

Era inevitável que houvesse sexo entre os ingredientes do escândalo do Banco Master.

É o nosso destino, como diz Paulo Prado, no clássico Retrato do Brasil: ao lado da cobiça, tem-se a luxúria, ingredientes essenciais da tristeza brasileira, resultado psíquico do esgotamento moral e físico causado por ambas.

Para não variar, a expectativa advém do celular (ou nos celulares) de Daniel Vorcaro, dispositivo que se tornou eventual Deus ex-machina.

Escuto já faz algum tempo e leio agora nos jornais que há imagens das festinhas que o banqueiro promovia, misturando autoridades dos três poderes e moças de fino trato — de resto, bem mais fino do que o das autoridades.

A história ganha contorno mais nítido com a representação do Ministério Público junto ao TCU que recomenda a abertura de um processo para identificar quais seriam as autoridades que participaram das festas que Vorcaro dava em uma casa em Trancoso.

“Esses eventos, denominados Cine Trancoso, teriam contado com a presença de altas autoridades dos Três Poderes da República, incluindo integrantes do Poder Executivo do governo anterior, membros do mercado financeiro, da política e do meio jurídico”, diz a representação.

Antes de ser adquirida por Vorcaro, ao preço de R$ 300 milhões, a casa onde ocorriam as, digamos, exibições do Cine Trancoso pertencia a uma ricaça de São Paulo, que a alugava ao banqueiro.

Em um ocasião, a proprietária ficou furiosa com Vorcaro por causa de uma festa para lá de animada dada por ele.

“O Vorcaro encheu a minha casa de putas. Ele, amigos e muitas putas! Desde antes de ontem, reclamações por causa do som acima do permitido. Ontem foi pior”, escreveu a dona da casa ao corretor responsável pelo aluguel, em 5 de outubro de 2022, véspera do aniversário de Vorcaro, como revelado pelos jornalistas Guilherme Seto e Lucas Marchisini.

A representação feita ao TCU (não deixa de ser curioso que o Tribunal de Conta da União tenha de fiscalizar lubricidades) cita uma reportagem da revista digital Liberta.

A revista diz ter uma fonte que afirma ter assistido a um suposto vídeo exibido na reunião do board de uma distribuidora de títulos e valores mobiliários.

O suposto vídeo seria uma compilação de cenas das festas promovidas por Vorcaro, que contaria com moças vindas do exterior, bem mais confiáveis pelas distâncias geográfica e linguística que as separam destes tristes trópicos. Diz a revista:

“O vídeo era estrelado por um ‘pica das galáxias’ do Poder Judiciário. Foi assim, ‘pica das galáxias’, que um dos principais executivos da Reag classificou o personagem quando o tema terminou sendo abordado na mesa de trabalhos da operadora agora em liquidação pelo Banco Central.

O vídeo estava arquivado no celular de Daniel Vorcaro, à época banqueiro e ainda controlador do Master. Hoje, Vorcaro é ex-banqueiro, o Master não é mais banco, a Reag está em liquidação e o celular está retido pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal sob custódia do Supremo Tribunal Federal.”

Noticias-se que houve festas em Trancoso, em Nova York e em Lisboa, um “after” para aliviar os cérebros que haviam fumegado no Gilmarpalooza.

“No dia seguinte ao after do banqueiro, os participantes do Gilmarpalooza que circulavam na avenida da Liberdade, onde estão localizadas as grifes de luxo de Lisboa, só falavam do evento do Master, segundo três pessoas que acompanharam o seminário.

Muitos dos participantes viajaram acompanhados por esposas ou namoradas, e a circulação de algumas das mulheres convidadas por Vorcaro em lugares públicos despertou desconfiança e gerou falatório nas rodas femininas.

Pessoas no entorno do Master contam que algumas das mulheres frequentadoras das festas teriam se tornado próximas de Vorcaro. Recebiam mesada, moravam em hotéis de luxo em São Paulo e ajudavam a trazer amigas para participar das festas promovidas na cidade”, escrevem as repórteres Alexa Salomão e Joana Cunha.

Quando indagada por jornalistas a respeito das bagunças de Vorcaro, a defesa do banqueiro diz que “a divulgação de conteúdos carregados de juízo moral, dissociados de qualquer relevância jurídica, contribui apenas para a criação de ilações e para a indevida invasão da esfera privada”.

De fato, seriam ingerência indevida e moralismo fuçar e condenar festinhas privadas promovidas por adultos para adultos, em ambiente no qual o sexo é praticado de forma consensual.

A questão é que as festas de Vorcaro teriam como peça de resistência, além do sexo, a corrupção e o tráfico de influência envolvendo autoridades e políticos. Nesse caso, a coisa se torna de interesse público e é passível de julgamento moral.

Movido de absoluto interesse público, portanto, é que vocalizo a pergunta que não quer calar: quem seria o “pica das galáxias do Judiciário” que protagonizaria o suposto vídeo que estaria no celular de Vorcaro?

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