IBGE Foto: Reprodução
Dados da PNAD Contínua 2025 do IBGE revelam que a cada 100 mulheres, apenas 95 homens estão no país
Por Da IstoÉ com Agências
O Brasil registra um desequilíbrio significativo em sua composição populacional: há 95 homens para cada 100 mulheres, segundo os novos dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua 2025 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A informação, divulgada nesta sexta-feira, 17, valida a percepção de que a população feminina no país é majoritária, uma tendência observada desde o Censo realizado em 1940 e que se agrava em determinadas faixas etárias e regiões.
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O que aconteceu
- O Brasil apresenta um desequilíbrio populacional, com 95 homens para cada 100 mulheres, conforme dados da PNAD Contínua 2025 do IBGE.
- A diferença se acentua em faixas etárias mais elevadas, como no Rio de Janeiro e em São Paulo, e é influenciada por fatores como violência e expectativa de vida.
- Embora nasçam mais homens, causas externas e maior cuidado com a saúde por parte das mulheres invertem essa proporção após os 24 anos.
Dependendo do Estado e da faixa etária, a situação se agrava. No Rio de Janeiro, por exemplo, na faixa com mais de 60 anos, são apenas 70 homens para 100 mulheres. Em São Paulo, não é muito diferente: na mesma faixa etária, são 76 para 100.
Os números do último Censo mostraram que, em 2022, a população brasileira era formada por 104.548.325 mulheres e 98.532.431 homens – cerca de 6 milhões de mulheres a mais.
Segundo os demógrafos, as chamadas causas externas, como acidentes graves e violência urbana, que vitimam muito mais homens, e o fato de as mulheres cuidarem mais da saúde explicam essa diferença.
Como o Brasil chegou a esta proporção de gêneros?
O fenômeno não é recente. A série histórica da PNAD mostra que, em 2012, a população residente do País era formada por 48,9% de homens e 51,1% de mulheres. A proporção se manteve até 2018. Em 2019, houve uma ligeira alteração, passando para 48,8% e 51,2%. Até 2024, as porcentagens se mantiveram.
Por razões biológicas, em todo o mundo nascem de 3% a 5% mais homens do que mulheres. No Brasil, essa proporção se mantém até os 24 anos, quando a população feminina ultrapassa a masculina. Isso acontece porque, entre os adultos jovens, são registradas muito mais mortes de homens do que mulheres. Essas mortes estão relacionadas às causas não naturais, ou seja, violência e acidentes.
Por outro lado, a expectativa de vida das mulheres é sempre maior do que a dos homens globalmente. Isso é atribuído ao fato de as mulheres se cuidarem mais, se alimentarem melhor e frequentarem mais os médicos. Por isso, na faixa etária acima dos 60 anos, é comum o número de mulheres ser mais elevado.
Com a transição demográfica brasileira – envelhecimento da população e redução dos nascimentos –, essa diferença fica ainda mais evidente.
Quais são as exceções e fatores regionais?
A tendência se repete em todas as regiões e, praticamente, em todos os Estados do País, segundo a PNAD. As únicas exceções são Tocantins, onde são 105,5 homens para 100 mulheres, Mato Grosso, com 101,1, e Santa Catarina, onde são 100,2 homens para 100 mulheres.
Do ponto de vista regional, o tipo de oferta de trabalho pode elevar a proporção de homens, como em lugares com atividades como a mineração e o agronegócio.
Mulheres solteiras são mais felizes e saudáveis?
A notícia sobre a diferença do tamanho das populações conforme o gênero não é necessariamente ruim para as mulheres. Segundo estudo do professor de Ciência Comportamental da London School of Economics, Paul Dolan, as mulheres solteiras e sem filhos tendem a ser mais felizes e saudáveis do que as casadas.
De acordo com o pesquisador, os homens se beneficiam muito mais com o casamento, porque passam a se cuidar melhor, se alimentar de forma mais saudável e ter apoio emocional. As mulheres, por sua vez, ficam mais sobrecarregadas. É comum que elas precisem acumular obrigações profissionais e domésticas, como a casa e os filhos.
*Com informações do Estadão Conteúdo


